Em 2001, a GM lançou no estado da Califórnia, nos Estados Unidos, um modelo de carro inovador, teoricamente não poluente, já que usava baterias carregáveis em postos especiais ou mesmo em casa. Em pouco mais de dois anos, o veículo elétrico, que poderia ser a saída para os combustíveis de origem fóssil, já não existia mais.
Muitos se perguntaram o porquê dessa idéia não ter dado certo. Seria falta de interesse dos americanos, posto que o carro tinha autonomia para circular apenas 120 quilômetros, antes de ter que recarregar a bateria? Seria falta de visão da mídia, que não divulgou a idéia de forma massiva? Seria uma falha da estratégia de marketing da GM ou seria uma omissão do governo, que não viu na proposta uma saída para independência do petróleo? Infelizmente, todas as respostas estão certas, ainda que alguns dos americanos que acreditaram no carro elétrico tivessem tentado manter seus veículos. Mas como a empresa só havia vendidos os carros em forma de leasing, obrigou que todos devolvessem os veículos, reembolsando o crédito pago ou subsidiando a compra de outros veículos. Todos os carros foram destruídos pela montadora.
Essa história, que pode ser conferida no documentário “Quem matou o carro elétrico?”, ilustra bem a dificuldade que as alternativas econômicas, sociais e ambientais enfrentam quando tentam enfrentar o status quo. A pergunta, neste caso, é como a GM investiu milhões de dólares numa tecnologia e depois não só abandonou, como também não deixou a oportunidade de testarem e demonstrarem a eficácia da tecnologia? A resposta, fácil e perversa, é que a indústria do petróleo estava por trás no desmonte no carro elétrico e conseguiu desbancar a idéia.
Quando morria o carro elétrico nos Estados Unidos, uma tecnologia inovadora surgia no Brasil e parecia ser uma resposta a altura. Era o princípio do biodiesel, uma saída ambientalmente saudável, principalmente para a agricultura familiar, que poderiam ver, no futuro, sua independência energética. Passados quatro anos o que nós vimos foi uma mudança de paradigma. Biodiesel virou agrocombustível.
O “bio”, que significa vida, dos pequenos agricultores foi transformado em um negócio pelos latifundiários, virou moeda de troca no governo Lula, vedete das mudanças climáticas e se transformou no agrocombustível. Juntou-se a ele o álcool, ressuscitado, mas como novo nome: Etanol. A alternativa foi surrupiada de uma maneira como muitos não imaginavam que aconteceria. Pelo menos não no governo Lula. A nova solução do desenvolvimento sustentável, outra idéia deformada pelos empresários e governos, se virarou contra quem mais precisa de alternativas. De tal forma, que a Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse na abertura do II Encontro dos Povos Floresta, em setembro deste ano, que ainda seria possível produzir no Brasil mais de 30 milhões de litros de álcool (desculpe o engano, etanol) por ano sem agredir o meio ambiente. A idéia que, acredito, a ministra queria passar era de que a plantação seria feita em áreas já abertas para a agropecuária anteriormente mas abandonas por conta na queda da produção da pecuária e também da soja.
Essa idéia poderia até passar como verdade para um número maior de pessoas, se ignorado a prática da queima, comum em plantações canavieiras, além de ser a atividade número 1 em trabalho escravo no país, se não fosse um fato: o aumento do desmatamento. As quedas recordes, anunciadas com louvores dois anos seguidos começa a mostrar que há uma retomada no desflorestamento. De acordo com dados do Instituto do Homem e do Meio Ambiente na Amazônia – Imazon e Instituto Centro de Vida – ICV, foram desmatados em Mato Grosso, no mês agosto de 2007 uma área de 250 quilômetros quadrados, um aumento de 228% se comparado ao mês anterior, julho. Ou um aumento de 138% se comparado a agosto de 2006.
No que se refere às queimadas, entre junho e setembro em Mato Grosso foram registrados 44.621 focos de calor em Mato Grosso, um aumento de 72% com relação ao mesmo período do ano anterior (25.938 focos). Considerando apenas o mês de setembro, o total de focos de calor em setembro de 2007 (26.781) superou o mês de setembro de 2005 (21.937).
Ou seja, apesar da Operação Curupira, deflagrada em 2005 e que transformou o governador Blairo Maggi de estuprador da floresta a governador “ambientalista” e do dólar, teoricamente o principal termômetro da soja, continuar decrescendo, principalmente por conta da recessão que assombra os Estados Unidos, o desmatamento e as queimadas aumentaram este ano. Uma conta que ajuda a explicar é que no Estado, de acordo com dados da Secretaria da Fazenda – SEFAZ, já existem 41 usinas de “biodiesel”, leia-se agrocombustível, cadastradas, produzindo combustível a partir de uma certa oleaginosa.
A Associação Brasileira de Indústrias de Óleos Vegetais – Abiove prevê que no ano que vem serão esmagadas 31,5 milhões de toneladas de soja, um aumento de 9,7% se comparada a safra de 2006/2007. O principal fator desse otimismo é o anúncio da Cargill, que irá construir em 2008 uma nova fábrica de processamento em Mato Grosso, aumentando sua capacidade no país em 25%. A Bunge também planeja o mesmo mas ainda não anunciou datas. O último fator no aspecto do agronegócio, que ajuda a engrossar o caldo da expansão da soja e do desmatamento, é a promessa do presidente Lula em sua campanha para sua reeleição. A partir do ano que vem a mistura do “biodiesel” (leia-se agrocombustível) se torna obrigatória.
A ameaça da expansão da soja e, agora, da cana que parecia difícil com os dois últimos dados do governo federal apontando queda no desmatamento agora se mostra factível, não pela valorização do dólar mas pelo incentivo que o próprio governo está dando. Não é difícil imaginar a pressão que a agricultura familiar sentirá, ou melhor já está sentindo, nesse novo impulso do agronegócio, agora com motivos pretensamente nobres, a de produzir um combustível limpo. Talvez até tenha menos poluentes, mas que não tem nada de limpo. Governos e empresários começam a tentar seduzir agricultores familiares de que o agrocombustível será uma nova forma de renda, mas o provável é que aconteça o mesmo que a produção de leite, em que famílias com poucas vacas se vêem obrigadas a venderem o leite a preços baixíssimos a lacticínios da região para ter um mínimo de renda, bem abaixo do que se tivessem diversificado sua produção.
Enfim, o carro elétrico não deu certo nos Estados Unidos porque havia uma pressão de vários setores, inclusive o automobilístico, para que ele não desse certo. No caso do agrocombustível, está se transformando na salvação da lavoura, porque pelo menos dois setores (o governo e os grandes produtores rurais) estão bastante empenhados e com uma retórica eficiente. Mas a lavoura está produzindo alimento para os veículos e para os bolsos dos empresários enquanto mata de fome quem quer produzir comida.
Odeio Rodeio - Chico César
Odeio rodeio e sinto um certo nojo
Quando um sertanejo começa a tocar
Eu sei que é preconceito, mas ninguém é perfeito
Me deixem desabafar
A calça apertada, a loura suada, aquele poeirão
A dupla cantando e um louco gritando “segura peão”
Me tira a calma, me fere a alma, me corta o coração
Se é luxo ou é lixo, quem sabe é bicho que sofre o esporão
É bom pro mercado de disco e de gato, laranja e trator
Mas quem corta a cana não pega na grana, não vê nem a cor
Respeito Barretos, Franca, Rio Preto e todo o interior
Mas não sou texano, a ninguém engano, não me engane, amor
Vídeo Mato Grosso Sustentável e Democrático
Está no YouTube o vídeo do Projeto Mato Grosso Sustentável e Democrático - MTSD, produzido durante o seminário realizado em agosto de 2007 em Alta Floresta.
Com 04 minutos e 48 segundos, o vídeo foi produzido pelo Ponto de Cultura Norte de Mato Grosso - PC Nortão e Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lucas do Rio Verde. A produção contou com recursos do Centro de Apoio Socio Ambiental - CASA.
Tropa de Elite
Agora que todo mundo já viu Tropa de Elite, parece até carne-de-vaca também fazer comentários. No entanto, devo dizer, que fiquei mais estarrecido com algumas das críticas e entrevistas sobre o filme do que surpreendido com a produção em si. Ainda que o diretor José Padilha negue que seja uma adaptação de Elite da Tropa, livro do ex-Bope Rodrigo Pimentel, este co-assina o roteiro. No mínimo, o que se pode concluir é que Tropa de Elite é uma obra de ficção com os dois pés calcados na realidade. Tanto a ponto de, dizem, o governador do Rio de Janeiro ameaçar processar seus realizadores caso alterações não fossem feitas na obra.
Fiquei estarrecido em muitas das críticas e reportagens dizendo que neste filme os traficantes são tratados como bandidos e os policiais como mocinhos. Até Alberto Pinheiro Neto, comandante do BOPE, afirmou em entrevista à Época (Ed. 491) que o capitão Nascimento (personagem de Wagner Moura no filme) virou herói. Herói? O que eu vi nos 118 minutos de projeção foi uma demonstração de como a sociedade está um caos. Da polícia comum corrupta, a intransigência do BOPE, passando pelos esquemas do sistema. O herói Capitão Nascimento mata primeiro e atira depois, tortura para obter as informações que se quer e até faz Jack Bauer parecer maricas.
Acredito que muitos afirmarão que para proteger a sociedade isso se faz necessário. Não concordo com isso, mas nas “atuações” do capitão Nascimento, que sociedade ele estava protegendo? Subindo o morro para salvar policiais que foram pegar propina e matar um policial que tentou passar por cima do esquema da corporação? Na segunda vez que sobe o morro é por arrependimento de ter deixado um moleque fogueteiro ser assassinado por sua causa. Na terceira é para vingar a morte daquele que seria seu substituto, que só morreu pela arrogância do companheiro (André Matias), que fez questão de se passar por mocinho em favela dominada pelas drogas. Wagner Moura construiu um personagem humano, mas não herói. E me assustou ver cidadãos chamando-o de herói, quando na verdade só agiu para satisfazer seu ego.
Uma outra coisa que chamou atenção foi, derivada das incursões da polícia na favela, é que os policiais culpam a burguesia de financiar o tráfico. De acordo com um estudo da Fundação Getúlio Vargas divulgado esta semana 62% do consumo de drogas é da chamada Classe “A”. No entanto, o filme não mostra (e, acredito que propositalmente) os problemas sociais advindos do tráfico a não ser a guerra entre traficantes e policiais. Estes querendo proteger quem? Ninguém aparece pedindo proteção do tráfico. Aparecem apenas comerciantes pagando propina a policiais contra roubos e furtos. E sempre que a polícia sobe o morro é movida por motivos particulares, não pelo bem da sociedade, como tanto apregoa o capitão Nascimento.
E ele, que queria sair do BOPE para se dedicar ao seu bebê que acabara de nascer, mostra que seu perfil intransigente também se aplica à família. Por amor a esposa ou para diminuir o stress, só sossega, ao que parece, quando encontra um substituto à altura. Movido por motivos vingativos, torna violento o único personagem que se aproximava do perfil de um mocinho no filme: André Matias.
Enfim, Tropa de Elite é um filme muito interessante. Mas achei surpreendente mesmo o que Tropa de Elite deixou passar nas entrelinhas. Só não viu quem não quis.
Nota 08
A Corporação
O documentário canadense de Mark Achbar, Jennifer Abbott e Joel Bakan é um curso sobre como as grandes corporações (IBM, Dysney, McDonalds, Monsanto, Pfizer, Pirelli e outras tantas) surgiram e cresceram no mundo, se tornando ou concorrente ou maior que os Estados. Obrigatório para quem sente que nós, como cidadãos, somos manipulados pelo marketing destas grandes empresas. Longe de ser panfletário, A Corporação, lançado em 2004 no Canadá e EUA e em 2005 no Brasil, demorou quase uma década para ser feito e o seu principal mentor é Joel Bakan, um renomado professor de direito da Universidade de Columbia que também lançou um livro com o mesmo nome, infelizmente ainda sem tradução para o português.
Para o documentário, foram entrevistados famosos defensores do corporativismo do mundo empresarial, como Peter Drucker, os CEOs de indústrias como Pfizer, jornalistas que tentaram denunciar a monstruosidade da Monsanto além, é claro, de respeitados anti-corporativismo como Michael Moore, Noam Chomski e Vandana Shiva. Uma grande sacada dos realizadores foi fazer uma comparação das corporações com a mentalidade de um psicopata: que tem incapacidade de seguir leis, só visa o benefício própria, mente para obter vantagens etc.
Entre as boas histórias que tem em “A Corporação” está a de como elas cresceram nos Estados Unidos, quando iniciaram eram altamente regulamentadas pelo Estado: se aproveitando da 14ª emenda, criada para tentar garantir igualdade de direito entre todas as pessoas, após a libertação dos escravos naquele país. Advogados sacanas de corporações entraram na Justiça alegando que as pessoas jurídicas (legal people, em inglês) também poderiam ter esses direitos. E não é que a Corte Americana, em 1890, topou?
Outras histórias se referem como a IBM (de Nova Iorque e não só da sua subsidiária alemã) serviu aos nazistas, de como a Coca-Cola inventou a Fanta Laranja para vender na Alemanha nazista sem macular sua imagem nos EUA. E também a incrível história de como a Monsanto já comprava as mídias americanas. E não é sobre os transgênicos ou sobre as sementes terminator a denúncia.
Depois de ver A Corporação você irá se sentir muito incomodado. E vai olhar as grandes empresas com outros olhos. Se isso não acontecer, é porque a alienação já destruiu seu cérebro e seu poder de reflexão.
Se você gostar do documentário, vale a pena ver também: Roger e Eu, Farhneith 11/09, Tiros em Columbine (de Michael Moore), Enron – Os mais espertos da sala, Supersize Me, A Revolução não Será Televisionada e A Carne é Fraca (único representante nacional que me vem a mente).
Radiohead e a pirataria
A banda inglesa tentou fazer um golpe de marketing excelente contra a pirataria. Antes mesmo do lançamento oficial do novo álbum In Rainbows (previsto para 03 de dezembro), é possível baixá-lo pelo site www.inrainbows.com . O combate à pirataria está na novidade é que você estipula o preço que quer pagar pelo download. Como meu bolso está numa crise nihilista, eu coloquei 0,00 libra. E acabei de baixar o CD. Muito bom, aliás. Não tanto quanto Ok, Computer ou The Bends, mas superior ao Kid A, Amnesiac e o menosprezado Hail to the Thief. Segundo fontes oficiais já foram realizados mais de um milhão de downloads. E pelo que se sabe, mais de 500 mil cópias piratas também foram baixadas pela internet. Se nem baixar de graça evita a pirataria, é um mal sinal.
Vale ressaltar que não sou de todo contra a pirataria, tendo em vista os preços abusivos que custam um CD ou um DVD, mas como posso ter de graça uma cópia original (sic!) então não vejo razão de piratear.
E até me deu vontade de comprar o CD quando lançado. Um dos fatores é porque ele será duplo. E no site só é possível baixar o disco 1. Outra novidade interessante é que para os fiéis ao vinil, o disco 1 também terá esse formato. Não sei se venderão no Brasil, mas é possível comprar pelo mesmo site do Radiohead.
Ok, YouTube
Tá bom, demorou. Mas caí nas graças do tal YouTube. Ainda não navego no dito cujo procurando vídeos mas sempre que um amigo indica algo eu vou atrás. Aliás, o primeiro vídeo que eu vi foi da Daniela Cicarelli nhanhando com seu namorado. Achei um porre. Até novela das seis tem cenas mais interessantes. Mas aí veio o vídeo inspirado do bom amigo Elton Rivas (link abaixo), recomendações do Protásius Terríficus e os meus (raros) acessos ao site Kibe Loco. E claro, também não podia deixar de citar a repercussão do incidente ocorrido com o Greenpeace e a Opan em Juína no final de agosto.
Segue abaixo uma seleção preguiçosa de três vídeos bacanas para se ver no YouTube
Zelda Merda Willian Wack troca nome de repórter ao vivo no Jornal da Globo
Tenho Interpretação inspirada de música de Sidney Magal
Zodíaco
David Fincher parece não ser mais aquele de Clube da Luta ou Seven. Assim como o bom, mas não memorável O Quarto do Pânico, seu tão aguardado Zodíaco, envolve, mas não é um soco na cara como os dois primeiros citados. Pode não ser excepcional, mas continua valendo a pena.
Vale ressaltar que recentemente vi um filme chamado O Zodíaco, made for TV, que atrapalhou um pouco meu interesse na trama. Vale dizer também que a direção de Fincher continua espetacular, ao fazer com que 158 minutos de filme passem numa velocidade boa. E é claro que a atuação de Robert Downey Jr, como o repórter do jornal “San Francisco Chronicle” e de Jake Gyllenhaal (o novo queridinho de Hollywood) como o cartunista Robert Graysmith, são excelentes e até dispensa um pouco da canastrice de Mark Ruffalo, como um dos detetives que investiga o crime.
Inspirado no livro de Robert Graysmith (sim, é baseado em uma história mais do que real e o assassino nunca foi pego) tem como seu maior mérito mostrar como um assassino se transformou um ícone cultural no início da geração pop americana. O fascínio que o vilão exerceu sobre quem o perseguia e a população em geral, e como soube manipular a mídia é quase enlouquecedor. Nos vários anos em que supostamente Zodíaco atacou, várias centenas de pessoas foram à polícia ou a TV afirmando conhecer ou ser o serial killer. Malucos de plantão querendo aparecer na mídia como O Assassino. Doido, não? Tanto é que boa parte dos personagens deste filme e do made for TV mostram o quão cruel foi correr em círculos para tentar capturar o Zodíaco. Absurdamente delirante.
Nota 7,5
MT sediará o 3º Congresso de Jornalismo Ambiental
Rios Vivos - O próximo encontro entre ambientalistas, ecojornalistas, cientistas e autoridades da área ambiental será na capital do Mato Grosso, Cuiabá. A decisão foi aprovada em plenária durante o 2º Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental, sediado em Porto Alegre/RS neste mês de outubro. A organização do evento posterior, em 2009, será coordenada pelo NEM – Núcleo de Ecojornalistas dos Matos, composto por profissionais de comunicação dos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
O NEM foi criado em outubro de 2005, durante o I Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental com objetivo de fazer uma conexão entre os biomas existentes nos dois Estados brasileiros e fomentar a divulgação de informações voltadas à formação de indivíduos críticos frente ao avanço da degradação ambiental nestas regiões.
Comunicação ambiental O aumento das pressões econômicas como a produção de biocombustíveis, soja e outras monoculturas, a expansão da pecuária e a crescente demanda por ferro e aço que resultam nos desmatamentos de florestas para produção de carvão vegetal para siderúrgicas, são ameaças à conservação do Pantanal e Cerrado.
Apesar disso, existe pouca inserção de informações sobre essas questões nas mídias locais. De acordo com a jornalista do NEM, Patrícia Zerlotti, “a realização do Congresso no Mato Grosso irá contribuir para o aumento da produção e difusão de informações que fortaleçam iniciativas de conservação, desenvolvimento sustentável e educação ambiental em toda região Centro-Oeste”.
Simpsons, o Filme
“Quem é burro o bastante para pagar por algo que se vê de graça na TV?” A indignação proferida por Homer no início do filme é uma pergunta que quem assistiu o longa realmente se fez. O filme não é ruim, muito pelo contrário, mas é um pouco mais do que um episódio estendido da série. Pra quem gosta da série e quer um passatempo, é uma legítima desculpa para se divertir. Se pensou numa aventura maior, que contasse, por exemplo, o início da família Simpsons, como é comum em adaptações da TV e HQs para o cinema, pode se decepcionar. Se bem que é na mesmice que reside a força da família que reflete , com pouco exagero, a típica família estadunidence. D’Oh.
Simpsons, o Filme - Vozes na versão original de: Dan Castellaneta, Julie Kavner, Nancy Cartwright, Yeardley Smith, Harry Shearer, Hank Azaria, Pamela Hayden, Tress MacNeille. Dirigido por: Matt Groening - 90 min – desenho animado
Nota 07
Turistas
Meninos e meninas, eu vi! Apesar de todas as críticas e pelo tipo de filme, que os americanos classificam como porn horror, eu vi. Turistas é uma bomba em todos os sentidos. Menos por falar mal do Brasil, apesar de exaltar suas belezas cênicas, de praias, rios e cavernas. É ruim porque tudo nele é tosco. A começar pelo elenco, cujo galã (não me lembro o nome e a preguiça para falar mal de um filme me impede de ir buscar no google) é um dos atores principais de Transformers. Mas também o roteiro não ajuda em nada: turistas gringos em viagem pelo Brasil, após acidente vão parar numa ilha em que um médico malvado recrutava pessoas para que levassem esses gringos para uma casa na floresta. Nessa casa na floresta o médico arrancava órgãos dos gringos (fígados e rins)e enviava para hospitais públicos brasileiros. A lenga, lenga da história só permite que isso apareça uma vez já quando o filme está indo pros finalmentes. Tem a vantagem de ser rodado no Brasil, ter vários atores brasileiros que falam português ao invés de espanhol. Mas nem tudo é perfeito. Pela história, os turistas estavam indo para Belém (PA) quando houve o tal acidente e no final do filme eles estão na Bahia. O pior é que nesse meio tempo aparece uma cena em que lê-se que a cidade é Ubatuba (SP). Paisinho pequeno esse tal Brasil, não? Nem a trilha sonora de Marcelo D2, se salva, em meio a tanta porcaria.
Aliás, o filme parece com a música final do filme. Adriana Calcanhoto cantando música de Buchecha (ou do Cláudinho), quer dizer, do que está vivo. A intenção pode até ser boa mas o conteúdo é uma merda.
Nota 01
Filmes e Documentários brasileiros recomendados
O Cinema Brasileiro está numa boa safra. Apesar dos filmes sempre comerciais da Globo Filmes, bons diretores e roteiristas tem conseguido dar uma nova cara a indústria, às vezes travestida de independente, mas geralmente produções bem feitas para o padrão tupiniquim.
Vai uma listagem aí de filmes e documentários bons que vi nos últimos tempos. Não se trata de classificá-los como ótimos ou dizer que é a minha lista dos dez mais. Não se trata disso, porque nisso eu não acredito. Cada um tem seu gosto. E tem o meu gosto e o gosto do outro, que é o mau gosto, mas não vamos entrar nisso. Mesmo porque, dependendo do meu humor, posso desconsiderar um filme ou outro. Então é, para quem ainda não viu, uma recomendação. Pode ver sem culpa.
Filmes 1) O Cheiro do Ralo 2) Baixio das Bestas 3) Batismo de Sangue 4) Contra Todos 5) Cidade Baixa 6) Amarelo Manga 7) O Céu de Suely 8) Macunaíma 9) Cinema, Aspirinas e Urubus 10) Cama de Gato 11) Dois perdidos numa noite suja 12)Garotas do ABC
Já havia falado de um ótimo filme do alemão Michael Haneke, Cachè. Neste Código Desconhecido, de 2001, o diretor é bem mais ousado, embora não necessariamente reflita um filme melhor. A grande virtude e o grande defeito do filme está no tema. Falta de comunicação quando muitas linguagens são faladas. Não os idiomas, mas os conceitos políticos, sociais, raciais, de classe aliado aos idiomas. Alejandro González Iñarritu tratou do mesmo tema em seu Babel, só que de forma mais palatável.
Mas voltando ao filme. Vale a pena pelo exercício narrativo e pelo mostra-não mostra em cenas que se interrompem abruptamente, com personagens falando vários idiomas (francês, romeno, alemão, linguagem surdo-murdo e outros que não consegui distinguir) mas sem se entender seja no relacionamento entre namorado e namorada (Juliete Binoche), pai e filho, franceses e negros, polícia e imigrantes.
Interessante também é a forma como Haneke nos mostra que a artificialidade nos mostra mais confortável que a realidade. O filme no qual a personagem de Binoche (Anne Laurent, que tem o mesmo sobrenome de sua personagem em Cachè) está atuando é num padrão convencional, ao que estamos acostumados a entender. Já os entrecortes que Haneke faz, a exceção da cena de abertura, bastante incômoda, nos faz pensar, se quisermos, é claro, o quanto o que percebemos do outro é quase nada. Só preconceito. Ou a mais pura ignorância.
Nota 7
Curtas que valem a pena
Os filmes de curta metragem são geralmente cartões de visita de diretores estreantes, que precisam mostrar sua competência antes de se aventurarem a fazer filmes com orçamentos mais vultosos. Mas também o caso de existir muitas estórias que não necessitam de muitos minutos para serem bem contadas. Caso exemplar no Brasil é do diretor Jorge Furtado, que começou fazendo curtas premiados como Ilha das Flores e é um dos melhores diretores tupiniquins da atualidade. Ele fez “Meu tio matou um cara” e “O Homem que copiava”, para citar os mais recentes.
Nesse sentido, é uma atração à parte a exibição desses curtas nos festivais Brasil adentro, como no de Cuiabá, que terminou ontem (30). Ressalto a qualidade crescente das produções mato-grossenses, como “O amor e a bagunça da casa”, de Evandro Birello sobre os portadores da Síndrome de Down e a inserção destes na sociedade ou “Eunóia”, de Eduardo Ferreira e Joel Sagardia, que destila as paranóias e fracassos de um sujeito em busca de seu lugar no mundo. Também fiquei agradavelmente surpreso com as animações bolivianas feitas com papéis rasgados para compor os personagens e os cenários.
É a prova de que o talento para o cinema o Brasil e a América Latina tem. O que precisamos é nos esquecer um pouco das produções hollywoodianas e valorizarmos o que temos por aqui. Não como bairrismo, ou falso patriotismo, mas porque realmente têm qualidade de sobra e muito a ensinar.
Nesse ensinar, chamou-me a atenção do curta “Quando o tempo cair”, em que o ator Selton Mello estréia na direção. Mais do que a história, sobre um homem velho aposentado que precisa voltar a trabalhar para ajudar seu filho e neto, a importância está no ator que compõe o personagem: Jorge Loredo. Ele é mais conhecido como o Zé Bonitinho, em programas como “A Praça é nossa”, no SBT, ou no extinto “Escolinha do Professor Raimundo”, na Globo. No entanto, desempenhou de forma magistral um papel dramático. O que mostra que quando treinamos novos olhares, descobrimos novos talentos. E essa ousadia é sempre bem-vinda.
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