Volta e meia surge em Cuiabá uma idéia revolucionária de revitalização do centro histórico. A mais nova, difundida esses dias pela imprensa é a abertura do comércio aos domingos. Otimistas apontam um possível incremento de 10% nas vendas. Embora uma lei municipal de quase dez anos já autorize essa prática, somente nos últimos meses essa idéia vem sendo testada por grandes lojas da capital no centro. A proposta é boa, mas a premissa está errada.
É verdade que cada vez mais e mais empreendimentos comerciais apostam nesse dia, como supermercados e, claro, os shoppings, isto sem contar os intermináveis feirões de automóveis. Mas um problema grave, sintoma de uma sociedade cada vez mais consumista, é apostar no comércio como entretenimento. "O que você vai fazer neste domingo?" "Vou comprar uma televisão nova, quem sabe até um home theater." Triste. Muito triste!
A alegação de que com isso o consumidor tem mais tempo para escolher seu produto e pesquisar os melhores preços é uma premissa também falsa. Antes dava tempo, agora não dá mais. Estamos virando robôs, trabalhando cada vez mais e a diversão vira ter posses.
Mas se não dá para mudar isso, poderíamos perguntar: o que eu vou fazer no centro de Cuiabá, aos domingos (se a idéia vingar), além de comprar? Nada! Lá não tem cinema (o Bandeirantes fechou há tempos e as obras de revitalização do Cine Teatro já viraram piada de mau gosto), não tem teatro, não tem boas lanchonetes, sorveterias, os museus estão fechados... Então, antes de se discutir o comércio aos domingos é preciso dar vida ao centro histórico da cidade. Lembremos do exemplo da revitalização do Porto. Que desastre! Coitado de quem apostou naqueles quiosques que margeiam o rio Cuiabá!
A prefeitura deveria apostar, primeiro, em mostrar aos cuiabanos e aos paus rodados que é bom ir ao centro, precisa-se incentivar atividades educativas, sociais e culturais, aproveitando o bom exemplo do Festival de Teatro. Viva o Grupo Fúria! Em Curitiba, por exemplo, a famosa rua XV é lotada aos domingos, mas o comércio (a não ser o de serviços) praticamente não funciona nesse dia. As pessoas vão lá para passear, mesmo!
Mas antes disso, ainda, é preciso mostrar a população que é seguro andar no centro. Não estamos falando em botar um policial em cada esquina, mas de investimentos sérios em projetos sociais, com ajuda dos comerciantes, da sociedade e dos governos, inclusive incentivando e divulgando os bons projetos que já existem. Aí sim, o comércio aos domingos pode, se quiser, surgir.
Vinícius: O Documentário

Adulado pela mídia, principalmente pela Rede Globo, parecia que o documentário de Miguel Faria Jr, seria o documentário definitivo sobre Vinícius de Moraes. Não é! Mas é muito bom. Talvez este seja o melhor trabalho do diretor (que fez o sem sal Xangô de Baker Street), em parte pela relação com Vinícius, já que foi casado com Susana, primeira filha do poetinha. Susana deve ter contratato Miguel já que ela é a produtora do longa e também uma das entrevistadas.
Mesmo assim, as entrevistas estão ótimas, e os principais parceiros do diplomata estão lá: Chico Buarque, Toquinho, Francis Hime, Edu Lobo, Carlos Lyra. Antonio Candido e Ferreira Gullar explicam como Vinícius era bom como poeta e como musicista, duas coisas muito distintas, segundo os especialistas. O roteiro é enxuto e funciona fluentemente, a exceção da lamentável cena do Ricardo Blat encenando um rap. Pra quê, isso, judiação, eca...
Acho que o momento foi oportuno para o lançamento do documentário, já que as últimas safras musicais estão cada vez piores: Axé, depois sertanejo, depois pagodão, agora funk... Quando passa uma onda, tenho até medo do que vem depois. Ver e ouvir sobre alguém que ajudou a construir uma musicalidade brasileira é sempre bom. Bem dirigido, melhor ainda... Só faltou um pouco mais do Vinícius mesmo, falando, cantando...
Ia dar nota 07 ao documentário, mas a tirada final do Chico Buarque revelando ao mundo a única mudança que Vinícius gostaria de ter caso reencarnasse é impagável. Merece dois pontos...

Vinícius, 09
Boa Noite e Boa Sorte e Syriana
George Clooney sempre teve uma aura de ator cult. Sem contudo, merecê-lo. Senão vejamos: Em ER, conhecido também como Plantão Médico, era só um galã coroa... Depois fez alguns filminhos: Irresistível Paixão (com a Jenifer Lopez - eca, para a atuação), Batman & Robin, antes fez The Peacemaker (com a outra falsa cult Nicole Kidman) Onze homens e um segredo, doze homens e outro segredo, Três Reis, Solaris... Será que faltou algum? Sim, dois. Foram salvos, um que ele mesmo dirigiu, Confissões de uma mente criminosa, com roteiro do sempre ótimo Charlie Kaufman e E aí, meu irmão, cadê você?, que os malucos irmãos Coen metamorfosearam do épico grego Ulisses.Bom, se ficássemos só nestes dois, diríamos que teve sorte este tal George Clooney, que não gosta de seu nome em meio a revista de fofocas.Mas se há tempos ele fora invocado como cult, provou agora, nestes dois recentes filmes lançados em DVD. Syriana e Boa Noite e Boa Sorte. Syriana, que ficou pouquíssimos dias em cartaz em Cuiabá e o outro, ficou no boa noite, não chegou por aqui. Bão, no que ele dirigiu, Boa Noite e Boa Sorte, é um filme legal, interessante, mas não foi ousado. O tema é excelente mas a técnica hollywoodyana de metaforizar o tempo atual é quase sempre o ponto fraco das produções independentes estadunidenses. Que ninguém se engane, o filme foi concebido para fazer um paralelo de como a mídia compactuou com a atuação do Bush filho no Iraque. Mas ao relatar um episódio ocorrido há 50 anos, não deixa que esse paralelo seja feito por muitos que viram ou verão o filme.
Mas sim, Clooney, mostrando a canalhice de Joseph McCarthy na década de 50, que criou e ampliou uma paranóia em cima dos comunistas usando, entre outros meios, a TV, é supremo. O que sobra no filme, a coragem de um apresentador de uma emissora de TV, é o que faltou ao próprio diretor do longa: ousadia.
Já Syriana é mais ousado, até tendo como um dos produtores um tal de Leonardo DiCaprio (sic!). O roteirista, que é o mesmo de Traffic (um moleque), cresceu, amadureceu e, ou ficou mais democrata, ou maquiou bem seu lado republicano. Clooney, que é de quem estamos falando, ficou com o terceiro melhor papel do filme, mas foi o que melhor soube tirar proveito e por isso foi bem merecido seu oscar, como ator coadjuvante. Se Matt Damon tivesse atuado um pouquinho melhor...Enfim, é uma bem estruturada trama envolvendo a indústria do petróleo e todos os seus interesses: o governo americano, as indústrias multinacionais e os países detentores do ouro preto. A forma como o filme retrata os dois primeiros atores é impecável, fraqueja um pouco (claro) ao falar dos países subdesenvolvidos com uma mina de ouro, oops, petróleo nas mãos. Que existam poderosos com boas intenções no Oriente Médio é até possível, mas bestas, não!

Boa Noite e Boa Sorte, 7
Syriana, 9
Código da Vinci
Então, quando eu saí da sala de cinema, a impressão que eu tive era de um grande filme (de entretenimento, claro), muito embora Ron Howard não tivesse tido a coragem necessária para torná-lo ao nível de um O Nome da Rosa. Mesmo assim, achei que o filme conseguiu dar o recado: filmes de ação são sempre filmes de ação. Se consegue um pano de fundo interessante, pronto, é sucesso de bilheteria na certa. Posto que como suspense não funcionou. O grande vilão e o destino da auxiliar de Hanks era tão forçosamente óbvio que estragou boa parte da trama.
Não achei também que Audrey Tatou estivesse tão ruim como mostraram quase todas as críticas, nem que Tom Hanks estivesse tão ridículo com aquele muppet. Mas sim, Paul Bettany é o grande ator do filme.Porém, passados alguns dias desde que eu assisti, coloco-o naqueles casos de filmes a curto prazo. Que só funcionam na hora e não resiste uma segunda ou terceira vista. Cansa.
Serviu para um propósito bom para mim, pelo menos no aspecto econômico. Não me sinto nem um pouco interessado em comprar (nem ler) o livro de Dan Brown. Nunca gostei de best-sellers, mesmo. No caso de um fast-movie, ainda passa.
Nota: 06
Logo após o jogo,um repórter da Globo perguntou ao Parreira: - E para as quartas, França ou Espanha... O técnico respondeu: enGANA que eu gosto. hahaha

Tinha vontade de fazer um blog há tempos...
Principalmente porque é uma forma muito legalzinha de deixarmos registradas as nossas impressões sobre um tanto de coisas...
Também porque, como um crítico maldito (no bom sentido, é claro), irônico e sarcástico com as coisas boas e nem tão boas da vida, via num blog uma forma de extravasar ao mundo.
Demorei nessa iniciativa posto que de antemão pensava como um diário de adolescente. Mas como nunca tive (e nunca gostei da idéia de ter) um diário e adolescente já não sou mais há tempos, posterguei a idéia, mas que foi remoendo, remoendo, remoendo...
Mas ainda sim, sentia a necessidade de ter uma idéia, um mote central em girasse meu blog. A idéia veio, mas a falta de tempo e a preguiça (ah, essas irmãs gêmeas sedutoras) não me deixaram. Enfim, minha esposa, mulher, musa criou um blog e eu queria postar uma mensagem para ela...
Pronto, tive que criar o blog.
Mas, caros (ou baratos) amigos e anônimos, não vou falar do meu trabalho, a não ser que me dê vontade. O que vou falar será sempre (ou quase sempre) sobre minhas impressões dos meus passatempos favoritos: filmes, músicas. E outras asneiras. São minhas formas preferidas de me ausentar do mundo por algum tempo..., tirando as outras formas, bem mais proveitosas...
Iria começar falando do Código Da Vinci, que vi hoje, mas deu preguiça.
Deixa pra amanhã... ou depois...
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